acertei sem querer

Paguei

É com imenso prazer (pois é, nesse caso é mesmo) que aviso vocês que esse blog não será mais atualizado. O Pagando os Pecados foi um teste que fiz pra ver se sobrevivia a esse tempo de vacas magras e eu gorda. De pressão pra guardar dinheiro, não gastar, não comer, não isso, não aquilo. A verdade é que não sei o quanto ter desabafado aqui ajudou, mas as coisas foram melhorando de maneiras muito legais do início do blog até agora.

Digo, de quando comecei o blog até hoje, perdi 6 quilos! Como? Posso dizer que não sei? Eu parei de ir à academia e não me lembro de ter feito grandes esforços pra parar de comer. Ok, também apelei para o Keep Light (e gastei dinheiro), e ele ajudou bastante por 1 semana. Super recomendo.  A verdade é que acho que parei foi de ficar ansiosa e funcionou.

Financeiramente, consegui 2 freelas que não pagaram minhas dívidas, mas me ajudaram muito a entrar nos eixos – e pela primeira vez em 1 ano (pelo menos) estou fechando o mês com o saldo positivo! Tive outras boas notícias, uma do meu pai e outra profissional, que podem ajudar minha vida financeira futuramente e isso me deixa muito feliz.

Mas o melhor mesmo é dizer que não estou mais desesperada pra comprar. É quase sarar de um vício, mesmo. Você perde a sensação gostosa de ter coisas novas toda semana, mas perde também a sensação de culpa que vem com ela – e isso é sensacional! Fora o prazer de ver o dinheiro rendendo até o fim do mês.

Agradeço a vocês, agradeço a mim, agradeço ao Keep Light, mas agradeço mesmo a Deus, que só queria ver se eu conseguia ter pelo menos 1 mês de paciência pra me recompensar.

E sim, fiquei noiva. O foco agora é outro. A grana pra fazer o casamento dos meus sonhos não é pouca, não – o que é um incentivo e tanto pra ficar sem gastar!!!

Eu até poderia continuar esse blog, mas tô mais interessada em fazer planilhas e mais planilhas de orçamentos pro casório. Então vou fugir do anonimato e divulgar meus outros blogs, pra quem tiver interesse de continuar vendo meus escritos: Cozinhando a internet e Palitos de Fósforo.

Não vou deletar esse blog, porque a gente nunca sabe quando os quilos voltam e o dinheiro some de novo. Mas, por enquanto, espero que até nunca mais! 😀

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futuro, minha história

Me assaltei a mim mesma

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Essa semana eu assaltei a Alice do futuro. Mais uma vez, sim. É que é a Alice velha, a Alice aposentada, ela tá longe. Com ela eu não preciso me preocupar agora, com 26 anos, né? Nem penso nessa louca hoje. Imagina eu, velha. Jesus!

É que eu tinha uma previdência. Uma previdência que JÁ tinha sido assaltada anteriormente, mas eu não desisto nunca, e continuei colocando 100 reaizinhos nela por mês, toda empenhada. E lá estavam eles, a alguns dias de carência de distância, meus mil e tantos reais que salvariam minhas economias, finalmente me tirando do maldito círculo vicioso do cheque especial (e funcionou, fiquei muito feliz, de verdade!). Obrigada, Alice do futuro.

Penso no dia em que eu, quando já for uma Aliçona, velha e mais irresponsável, viverei minha vida de socialite falida graças a esses mil reais retirados por mim hoje. Porque temos que nos preparar para os dias vindouros, né. Magina, não fazer aposentadoria e nem planos, aí  já é demais.

Alice do futuro acordará um pouco zonza em seu apartamento de cobertura herdado por alguma tia avó desconhecidíssima, tocará uma canção de amor em homenagem a seu ex-marido em seu piano branco (é, porque a essa altura, namorado já vai ter me abandonado no sétimo casaco de faux fur que eu comprar no cheque especial). Tomará um leite com muita água numa taça de champagne e pensará:

– O que vou almoçar hoje?

O que você não imagina, ingênuo leitor, é que Alice do futuro não terá comida na geladeira, mas terá muita ideia na cabeça. Ela tem cultura, ela tem graça, ela tem glamour. Ela tem um chapéu comprado num mercado de pulgas parisiense em 2010 que lhe passa uma impressão de colunista cool da Folha. Ela vai bater na porta da casa mais legal que encontrar e dizer:

-Muito prazer, Alice Despair. Sou jornalista e escrevo em um site sobre homie cookierie. Sua casa foi eleita por nós para figurar em nosso site. A gente almoça o que você acabou de fazer, dá nota e faz a crítica.

-Blog sobre o que?

-Homiecsdfhsdguiekrie. Não é todo mundo que conhece esse termo, eu entendo, é um hobby um pouco estrito a pessoas mais…

-É CLARO QUE CONHEÇO. Claro que conheço, acho que saiu naquele canal, aquele… semana passada, né?

-Isso mesmo. – sorri penalizada Alice Desespero, com os dentes amarelados pela vida.

-Puxa, mas me sinto tão honrada!!!  Posso ligar para os meus amigos e contar?

-Não, amor, o segredo do homie cookijiejrie é manter segredo. É uma coisa entre cozinheiro e crítico. – Alice do futuro pisca. A plástica malsucedida feita em 2045 trava a piscadela no meio, mas a imagem de Alice Desespero é pura confiança e afeto.

-Espero que você goste de arroz com feijãozinho, salada de tomate e bife acebolado.

A essa altura, Alice do futuro já está sentada à mesa, de garfo e faca na mão. Esperando sua próxima refeição.

E viva a Coca Cola 2 litros de casa de família!

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SOCORO

Branca de neve mendiga e a goiaba envergonhada

goiaba

Começa a ficar complicado quando o mundo inteiro começa a perceber que você está pobre. Parece que fica escrito na testa ou nas unhas não feitas por economia: OLHA, ELA ESTÁ DEVENDO. Pessoas reparam. Pessoas como o vendedor de frutas lá da rua que eu passei hoje. Bela e formosa, com roupas básicas (eu precisava de roupas [precisava!] e andei comprando umas roupas básicas, porque descobri que roupas básicas são muito mais versáteis, mesmo me deixando a  cara da Ellen Degeneres), estava indo para o trabalho.

Passei em frente ao vendedor de frutas e quis me sentir saudável. Vi a goiaba mais fofa do mundo olhando pra mim e pedi, animadona. 1,50, ele disse. Droga, olhei na carteira. Estava desprevenida. Sorri amarelo e falei “xi, não tenho trocado”.

O tempo parou.

“Moça, pode levar”, ele disse, com comiseração. Olhei pra minha roupa, chequei meu cabelo.

SOU A ELLEN DEGENERES MENDIGA, MEUDEUS.

Ele insistiu mais algumas vezes, enquanto eu olhava, assustada com tamanho ato de bondade.

Ele insistiu bastante.

Pensando bem, foi quase uma reencenação de Branca de Neve, com uma goiaba.

Recusei e corri pra pegar o ônibus.

Tem pão de graça no escritório. 🙂

(Sim, eu sumi, mas é porque… bom, consegui um freela, estava tentando fazer uma dieta, estava inventando doenças imaginárias para fugir da academia, essas coisas que consomem tempo. Pelo menos alguém está consumindo por aqui.)

Sendo consumida,

Alice Desespero*

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emagrecer, junk food

Com o coração na mão

original

Tem uma coisa que é totalmente contrária à religião do Alicismo, e essa coisa se chama RESTAURANTE POR QUILO. Não é nem só o fato de todas as comidas de quilo terem gosto de cartolina ou de certas pessoas (eu) não possuirem autocontrole e colocarem bacalhau e feijoada e maionese e churrasco e lasanha e sushi de kani tudo no mesmo prato. É mais o fato de ter que me levantar para tirar minha própria comida. Sim. Acho isso o fim. Tudo o que quero é chegar num restaurante, me sentar, conversar com meus amigos descolados (como diria aquela hipster cafona da novela) e rir polidamente enquanto sou servida.

A segunda coisa terrível, para mim, é rodízio de pizza. Sim, rodízio de pizza. Porque não basta você estar pagando barato, você ainda tem que ser submetida aos mais estranhos experimentos científicos dispostos em cima de massas redondas que chegam na sua mesa, sem parar. Eventualmente, cobertos de batata palha.

Aí que o namorado, todo feliz, resolveu me levar para comemorar o dia da pizza em um rodízio de 14,90 no Centro de São Paulo. Deixa eu te falar uma coisa sobre 14,90: gente.

A parte boa é que nos divertimos a valer. Vinha pizza de hot dog e a gente comia. Pizza de strogonoff? A gente comia também. Batata frita? Mas batata frita não é pizz-cala a boca e come, amor. Vinha pizza de Sonho de Valsa e Ouro Branco, pizza de prestígio e teve até uma vez que veio uma tímida Marguerita. Mas aí chegou ela. Eu tinha seguido o caminho todo me preparando para este momento: rindo de minhas memórias, quando eu era uma adolescente Dickensiana nas ruas de São Vicente-SP, e, imagine você, naquele tempo eu ia num rodízio em que serviam AQUILO. Será que serviriam AQUILO? Porque se servirem AQUILO vou te amar para sempre só pela piada porque pizza daquele sabor deveria ser considerado crime hediondo, eu dizia para meu namorado, que estava pagando o rolê.

E serviram.

A pizza de coraçãozinho de frango passou, fumegando, pela nossa mesa. Nos entreolhamos, e, solenes, fizemos que sim com a cabeça quando o garçom nos ofereceu.

Comi. Devo dizer que, comendo aquele pout-porri de doenças cardíacas, me senti no ponto mais baixo da minha vida. Deu até vontade de tomar vergonha e começar uma dieta de verdade.

Mas aí tomei Coca Zero e passou.

Achando tudo mó legal,

Alice Desespero*

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na hora do desespero

Na hora do desespero… miojo com vinho

posts_dicasmiojo posts_dicasmiojo

Hoje inauguro uma nova seção no blog. Em vez de só chorar no banheiro ou só dividir com vocês as minhas lamentações, decidi dividir algumas ideias que nascem nesse período de crise da vida. Porque tem coisa boa, às vezes divertida, mas sempre engraçada. Tipo a ideia que tive segunda feira. Estava frio, eu estava com uma dor de garganta daquelas, toda estrombicada e tudo mais. E decidi engordar um pouquinho, porque a gente merece de vez em quando, né. De vez em quando a gente merece chamar o namorado pra jantar dois pacotes de Miojo de galinha caipira com você.

Que cês estão olhando? Fiz a mesa de um jeito classudo, ainda, porque acho que assim é que a vida tem que ser. O namorado trouxe um vinho de cerca de 27 reais que harmonizou lindamente com cada porção de miojo que saiu por R$1,65 cada (sem contar a água, que está embutida no preço do condomínio). De entrada, ainda joguei azeite em cima de um pão italiano que tinha sobrado de uma tentativa um pouco exagerada de simular um Subway em casa de surpresa pro namorado no fim de semana (sobre isso prefiro não comentar), que, junto com uns restinhos de mortadela, viraram quase que uma bruschetta quase gostosa.

 

Anote essa para seu próximo momento de desespero.

VOCÊ SÓ PRECISA USAR A CRIATIVIDADE COM:

2 pacotes de Miojo de galinha caipira

1 vinho de menos de 30 reais (comprado pelo namorado)

Restos de pão italiano

Restos de mortadela

Azeite de oliva

 

Fica a dica,

Alice Desespero*

 

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errei de novo, horrorosa, saúde, tentando

Tão morrendo de cada coisa

XRd6Ag0 XRd6Ag0

XRd6Ag0 XRd6Ag0

Eu tô doidona. Doidona de raiva, mesmo. Tudo está me irritando, um pombo que ande um pouco mais torto na calçada já merece meu ódio mortal. Recorri à terapia (mas aí só tive dinheiro pra uma sessão), à homeopatia, e quase à corrente de oração da madrugada. Mas sei lá. Acho que depois de ter conseguido começar a (não) gastar dinheiro seguindo planilhas e não meus instintos mais primitivos me senti mais no controle da minha situação, menos à mercê das surpresas do tipo NO CHEQUE ESPECIAL DIA 15, MAS JÁ, COMO ISSO ACONTECEU???? (hoje, a diferença é que entro no cheque especial, mas pelo menos já sei que vou entrar, enfim essa é outra história), e comecei a melhorar um pouco.

Bem pouco.

Já tenho menos vontade de xingar alto, pelo menos.

O caso é que depois de estar (QUASE) curada desse estresse em níveis terríveis comecei a reparar o quanto as pessoas se desesperam com nada nessa vida civilizada. Parece que, basta acontecer alguma coisinha fora do script, todo mundo vai morrer. As causas mortis hoje são das mais estranhas. Tipo

Morte por pedestre na faixa.  O sinal abriu, o pedestre já estava atravessando, e nada pode fazer agora que está no meio da rua. Errou, calculou errado, acontece. Aí o motorista acha que vai ser atropelado ao contrário, porque não é possível, acha que vai morrer, que AH DEUS JÁ ERA ACABÔ e buzina em um verdadeiro furor.

Morte por incompetência alheia.  Noventa e nove por cento dos colaboradores do mundo têm falhas. Desses, uns 820% erram toda hora e são incompetentes, sim. E provavelmente esses são os que ganham mais que você. Aí em vez de sorrir porque pelo menos você não é desses e vai pro céu mais rápido dá aquela dor no peito aquela fofocada no almoço e aquela vontade de aaaaaaaAAAAAAAAAAAAAAAAAAAG e UUUDGHSHG

Morte por trânsito parado. Se você não acredita que estando dentro de um carro no trânsito você é o trânsito, então você pode acreditar que o trânsito é um grande monstro da antiguidade que rege a Terra e tem grandes dentes afiados prontos para devorar sua alma e arrancar sua cabeça fora. E que sorte. A buzina é sua única defesa contra ele.

Morte por 5 minutos. Essa é a morte que tem tido mais saída. O caixa eletrônico travou, o vizinho está usando a máquina de lavar roupa e esqueceu a roupa ali, o elevador passou reto e te desprezou. O tempo perdido foi cerca de 5 minutos. OS CINCO MINUTOS MAIS IMPORTANTES DA SUA VIDA. Quanto tempo você costuma ficar no Facebook todo dia, mesmo? Não importa, foi letal.

Morte por telefone não atendido. Vivemos em plena era da liberdade e da comunicação. COMO AS PESSOAS PODEM DEIXAR DE ATENDER SEUS TELEFONES? O som de caixa postal bate em seu cérebro e causa uma síncope mortal, pum pof caiu duro no chão.

Morte por adolescentes chatos. Eles são pequenos mas andam em bando. Eles falam alto, têm opiniões diferentes das suas, são desengonçados e podem até esbarrar em você de maneira tal que seu cerebelo vai cair quicando no chão e te levar a nocaute, sem querer.

Morte por comentário na internet. Eles estão aí faz tempo. Mas antes comentavam baixinho, em casa, almoçando, e suas ideias não atrapalhavam seu dia a dia. Agora que o Facebook deu diploma de crítico pra todo mundo, a peste bubônica dos comentários babônicos VAI PEGAR VOCÊ. Se você não se vacinar, é claro.

Sei lá, gente. Sempre aprendi que cada 5 minutos ganhos no grito são 10 minutos a menos de vida. Mas sei também que preciso lembrar disso ultimamente. 😦

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