banco, complexo, fases do luto, lamentos

Maldita raposa

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Pode chorar, mas eu acho Pequeno Príncipe um livro muito besta. Um menino chato que fica falando com gente chata, reclamando de sua solidão e fazendo filosofia barata com uma rosa? Já peguei uns desses e devo dizer: CHATO. A verdade é que tem um trecho desse livro que sempre me irritou: é a tal da frase “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. Acontece que  nem sempre eu quis cativar as coisas na minha vida. Elas é que se cativam sozinhas, geralmente feias e com mau hálito, e depois ficam por aí repetindo a frase da raposa, cobrando você das coisas que não fez.

Só que infelizmente, adoraria que esse primeiro parágrafo fosse aplicável para as contas que cativei. Que essas, eu não cativei sem querer. Essas, cativei bastante por querer. Por querer demais. Por QUERER MUITO, QUERO AGORA MEUDEUS ESTÁ EM PROMOÇÃO, É LINDO. Na última conversa que tive com a raposa ela estava fantasiada de facilidade bancária e o diálogo acabou de maneira bastante trágica:

O cheque especial então calou-se e considerou muito tempo Alice Desespero:
– Por favor, cativa-me! disse ele.
– Bem quisera, disse Alice, mas eu não tenho tempo. Tenho coisas a comprar à vista e investimentos a conhecer.
– A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm tempo de conhecer coisa alguma. Já as mulheres, essas sim, compram tudo prontinho nas lojas. Só não compram amigos porque ainda não inventaram uma amigueria. Se tu queres um amigo, cativa-me! Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.

Assim Alice cativou o cheque especial. Mas, quando chegou a hora da partida, Alice não conseguiu partir. Porque a raposa disse:
– Ah ! Você vai chorar.
– A culpa é tua, disse Alice, eu não queria me fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse…
– Quis, disse o cheque especial.
– Mas eu vou chorar! disse Alice.
– Vai, disse o cheque especial.
– Então, não saio lucrando nada!
– Mas eu lucro, disse o cheque especial, começando a rir de forma tenebrosa, junto com o guarda-roupa e tudo mais que Alice havia comprado com ele.

Rindo a valer,

Alice Desespero*

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fases do luto, minha história

A balança, meu extrato e eu: uma tragédia em 5 atos

9 9 9

Quando eu descobri que a balança estava balançando e meu extrato estava gritando, demorou pra ficha cair (enquanto isso, os pagamentos em débito automático e minha barriga caíam que era uma beleza). Digo que passei pelas 5 fases do luto e cada uma delas vinha acompanhada de uma atitude bastante sensata e compreensível.

A negação:

Mas toda farmácia que eu vou está com a balança desregulada. Isso e o site do banco que está com uma cor esquisita, dizendo que tenho menos do que tenho. Esquisito isso aí. AMOR, TEM UM HACKER INVADINDO MEUS DADOS.

A raiva:

Por que eu por que comigo por que agoraaaaa? Eu odeio essa sociedade que me obriga a pagar pela minha própria comida gorda. Sociedade gorda. Banhuda. Nem pra fazer uma salada gostosa por 1 real.  #brasilvergonha #imaginanacopa

A negociação:

Então eu só vou comer esse hamburger gourmet às sextas feiras em que eu estiver estressada.

A depressão:

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH EU SOU HORRÍVEL MINHA VIDA É HORRÍVEL VOU MORREEEEEEEER ANTES DOS TRINTA SEM TER ME CASADOOOOOOOOOOOOOOOO oba brigadeiro

A aceitação:

Mãe, lembra daquela proposta de você voltar a pagar terapia pra mim?

 

Beijos de luz,

Alice Desespero*

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fases do luto, minha história

Minha triste história

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Eu era uma pessoa normal e feliz. Não, deixa eu começar de novo, porque talvez normal nunca tenha sido. Eu era uma pessoa só um pouco gordinha que não usava cartão de crédito, nem cheque especial. E pra mim LIS era o apelido da Elizabeth Taylor. Quando não tinha dinheiro, fazia freelas. Até que um dia, porque sempre tem um até que um dia, né?

Até que um dia decidi que ia pagar meu próprio aluguel, minhas compras, minha pós, redecorar minha casa e viajar para fora, tudo quase ao mesmo tempo. Aí quando voltei de fora, caí na real. Liguei pras pessoas, que me emprestaram dinheiro (as pessoas eram duas pessoas de confiança, não pessoas tipo grandes agiotas, calma. É que “pessoas” fica menos comprometedor) e fiquei mais tranquila. Até perceber quanto tempo vou demorar para pagá-las de volta.

Aí pra ajudar comecei a namorar (HURRA!) e comecei a engordar. Foram 7 quilos que chegaram, todos fofinhos, batendo na minha porta. SEM SER CONVIDADOS.

Então, aqui estou eu. 10 quilos acima e… bem, bastantes reais abaixo. Passei por todas as fases do luto, e acabo de chegar na última, que hoje em dia é criar um blog sobre o assunto. Vai que ajuda.

Beijos e queijos (brancos),

Alice Desespero*

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