SOCORO

Sonhei

Que estava usando um look inteiro feito por roupas da C&A. Claro, foi um pesadelo.

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SOCORO

Branca de neve mendiga e a goiaba envergonhada

goiaba

Começa a ficar complicado quando o mundo inteiro começa a perceber que você está pobre. Parece que fica escrito na testa ou nas unhas não feitas por economia: OLHA, ELA ESTÁ DEVENDO. Pessoas reparam. Pessoas como o vendedor de frutas lá da rua que eu passei hoje. Bela e formosa, com roupas básicas (eu precisava de roupas [precisava!] e andei comprando umas roupas básicas, porque descobri que roupas básicas são muito mais versáteis, mesmo me deixando a  cara da Ellen Degeneres), estava indo para o trabalho.

Passei em frente ao vendedor de frutas e quis me sentir saudável. Vi a goiaba mais fofa do mundo olhando pra mim e pedi, animadona. 1,50, ele disse. Droga, olhei na carteira. Estava desprevenida. Sorri amarelo e falei “xi, não tenho trocado”.

O tempo parou.

“Moça, pode levar”, ele disse, com comiseração. Olhei pra minha roupa, chequei meu cabelo.

SOU A ELLEN DEGENERES MENDIGA, MEUDEUS.

Ele insistiu mais algumas vezes, enquanto eu olhava, assustada com tamanho ato de bondade.

Ele insistiu bastante.

Pensando bem, foi quase uma reencenação de Branca de Neve, com uma goiaba.

Recusei e corri pra pegar o ônibus.

Tem pão de graça no escritório. 🙂

(Sim, eu sumi, mas é porque… bom, consegui um freela, estava tentando fazer uma dieta, estava inventando doenças imaginárias para fugir da academia, essas coisas que consomem tempo. Pelo menos alguém está consumindo por aqui.)

Sendo consumida,

Alice Desespero*

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SOCORO, tô nem aí, tentando, trabalho

Acho uma palhaçada

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Reduzi aqui, reorganizei ali, cortei acolá (e estou falando de dinheiro, não de mim mesma). Até que cheguei a um ponto em que percebi: a não ser que eu pare de comprar comida, não tem mais o que cortar neste meu orçamento de mulher-que-mora-sozinha-com-25-anos-e-gastou-todas-as-economias-com-viagens-a-Paris. E até conseguir pagar a pós e minhas dívidas decidi fazer uma renda extra. E agora ninguém me segura!!!

Juro, juro por Deus que tô quase clicando naqueles banners malfeitos que geralmente têm uma foto de mulher feliz falando EU GANHO 1.600 REAIS POR DIA SEM SAIR DE CASA, SAIBA COMO. Mas tenho medo de saber como, sei lá. Pra mim, essa coisa de ganhar 1.600 reais por dia sem sair de casa só pode passar vírus.

Aí passando aqui pela minha rua dei de cara com um buffet infantil assim, meio esquisito, que abriu faz algumas semanas. Adivinha? Entrei em contato e vou fazer uma entrevista lá amanhã.

Eu, Alice Desespero, profissional com uma bela e respeitável carreira de segunda a sexta feira, prestes a fazer uma entrevista num buffet infantil meio esquisito.

Pois é. Além de não ter um vintém, é capaz de eu passar os próximos finais de semana da minha vida sendo chamada de palhaça por crianças com metade do meu tamanho.

Me desejem boa sorte,

Alice Desespero*

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roupas como vos amo, SOCORO

Aquele e-mail

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Hoje o dia acordou lindo em São Paulo. Me animei porque os pássaros cantavam, o sol brilhava e minha timeline do Facebook eu ignorava. Até que chegou aquele e-mail. Diretamente da minha loja favorita do mundo, aquela loja que até hoje não sei se fico feliz ou triste por não ter uma filial no Brasil e dificultar tanto meu acesso a ela. Maldita Anthropologie. Veio me oferecer uma verdadeira obscenidade de vestidos por menos de 100 dólares. Logo essa loja, cujos vestidos jamais custam menos de 100 dólares, nem nos meus sonhos mais loucos. Logo hoje, que estou fragilizada, depois de uma semana difícil, e sabendo que mês que vem minha verba de roupas tem saldo, já que minha fatura do cartão só virá com 70 reais de uma última parcela da C&A.

Numa sexta feira linda.

Abri o e-mail.

É claro que fui ver os vestidos, é claro que gostei de cinco, é claro que escolhi um. E estava lá, toda orgulhosa, comprando só um. SÓ UM! EM PROMOÇÃO! EU POSSO! ELE É LINDO! PRECISA DE MIM! Até que na página de fechamento da compra, o frete brilhou: 55 dólares. De frete. 55 dólares, pensa num absurdo. Não estou falando de 20 centavos, estou falando de 55 dólares. Por 55 dólares eu compro um jatinho e vou até Nova York pessoalmente comprar o vestido. Ah, revoltei-me. Revoltei tanto que fechei a janela e saí correndo em disparada pensando em como a vida é injusta.

E agora estou aqui, orgulhosa de mim. Salva por 55 dólares. O vestido em promoção ia me custar uns 300 reais, de qualquer maneira. Aqueles 55 dólares quiseram me dizer alguma coisa. E eu parei na hora certa.

Sim, parei.

Tenho certeza de que parei.

Por favor, diga que você está orgulhoso de mim também, nos comentários, por telefone, SMS, beijinho na nuca. Qualquer coisa. Senão amanhã a Anthropologie me manda um e-mail me avisando que deixei uma peça no carrinho de compras e eu sei que vou comprar. Por toda a minha vida eu vou comprar.

 

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